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A saída para crise é favorecer ainda mais os bancos e empresários?

autor: 
Washington Luiz Moura Lima

O governo anunciou recentemente um pacote de medidas para tentar estancar a crise que se anuncia, por exemplo, com a queda do PIB, desindustrialização e o aumento do desemprego.

De um lado baixou a taxa Selic.

Não há dúvidas sobre a necessidade de baixar os juros, porém isso já deveria estar sendo feito a muito tempo, além do que mantém os juros altíssimos, a segunda taxa mais alta do mundo.


Além disso, como não há uma efetiva fiscalização sobre os bancos, não existem garantias que os mesmos reduzirão suas taxas.

Ao mesmo tempo mexeu na poupança, que serve de defesa dos trabalhadores para suas economias,

Como os trabalhadores já estão muito endividados, e, como nos bancos podem compensar “os juros mais baixos”, com a cobrança de taxas e “reciprocidade”, essa redução mínima pode continuar elevando o endividamento, mantendo a retirada de parte expressiva de sua renda para o pagamento de juros aos banqueiros.

As perdas que poderão ocorrer na poupança, novamente servirão para aumentar os lucros dos bancos e perdas dos trabalhadores.

Também a diminuição da taxas de juros deveria levar a uma redução do superávit primário, que retira dinheiro do orçamento público para o pagamento da dívida aos bancos, mas ao contrário o governo mantém a meta, como se não tivesse havido a mudança nos juros.

Por outro lado, foi anunciado um pacote de benefícios aos empresários, como a redução da alíquota da previdência patronal, isenções fiscais, as reduções de IPI PIS/CONFINS, e empréstimos a juros subsidiados, num total de R$ 60 bilhões, a serem arcados pelo Tesouro Nacional.

Muitos setores industriais já vinham contando com essas benesses desde o ano passado.

Mas, como não é exigido dos patrões, por exemplo, a garantia no emprego, eles continuaram demitindo trabalhadores, como em inúmeras fábricas da indústria automotiva, dentre outros setores.

Além do mais, o povo brasileiro como um todo perde, pois são dezenas de bilhões de reais que são tirados dos serviços públicos de saúde, educação, segurança e justiça. Como exemplo os servidores do Judiciário há mais de 6 anos com os salários congelados.

A desindustrialização da nação, que vem desde o governo Collor, com a chamada abertura comercial, levou com que a participação da indústria no PIB do Brasil, fosse o menor desde a segunda guerra mundial.

Mas também nesse caso nenhuma ação mais concreta foi tomada como uma maior taxação de produtos importados com similares no país.

Qual verdadeira saída para essa situação?

Não há milagres. É preciso outra política. O que tem de ser feito é proteger o país. Assim a melhoria dos salários dos trabalhadores e dos servidores, a estabilidade no emprego, a Reforma Agrária, a taxação dos importados com similares no Brasil, a centralização do câmbio, o rompimento da política de superávit primário, são algumas das medidas necessárias que fortalecerão o mercado interno, e que de fato, irão colocar o país em condições de enfrentar a crise mundial.

Washington Luiz Moura Lima é Coordenador do Departamento Econômico do Sintrajud/SP