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Governo não vai cumprir meta fiscal e contas estão opacas

autor: 
Miriam Leitão

O governo, aparentemente, desistiu de cumprir a meta fiscal. É o chamado "tripé" (câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação) que sustenta a estabilidade econômica brasileira.

O BC tem sido muito condescendente com inflação acima do centro da meta, enfraquecendo um dos pés. O câmbio, hoje, é administrado. Cada vez que cai abaixo de R$ 2, o BC intervém. O superávit primário tem sido corroído por vários mecanismos.

Não seria um problema não cumprir a meta num ano de baixo crescimento, até porque os gastos têm de aumentar quando o crescimento é baixo e a poupança crescer em época de PIB maior. Mas o governo não tem feito isso. Este ano, a meta não será cumprida, porque a arrecadação não está indo bem - em todos os outros anos, ela foi atingida com aumento da arrecadação. E até o fim de 2012, o governo vai dizer que a meta será reduzida.

Há outros problemas na área fiscal. Em 2010, quando o Brasil cresceu forte e poderia ter melhorado a meta, o governo fez truque contábil para atingi-la. Em 2012, será descontado o investimento do PAC da conta de gasto. Repito: se fosse apenas em um ano, não seria um problema, porque investimento garante crescimento futuro, é gasto bom.

O problema é que o governo está tornando as contas públicas cada vez mais opacas, difíceis de serem entendidas. A dívida líquida tem caído, mas a bruta sobe, porque o Tesouro se endivida para colocar dinheiro nos bancos públicos para eles emprestarem mais. Esse é um dos truques.

Quando um jornalista de economia tem muita dificuldade para explicar as contas públicas, é porque o governo está criando truques contábeis que, no passado, já nos criaram o grande problema da inflação.

Fonte: Blog da Miriam Leitão