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Em debate promovido pelo Fórum em Defesa da Previdência, economista desmascara o déficit

Na noite dessa quarta-feira, 30, a economista e professora da UFRJ Denise Gentil foi a palestrante em um encontro promovido pelo Sintrajufe/RS e pelas demais entidades que compõem o Fórum Gaúcho em Defesa da Previdência. Gentil denunciou e explicou com o suporte de dados a farsa do "déficit", pretexto alegado pelo governo Temer para impor a reforma da Previdência.

O encontro foi aberto pelo diretor do Sintrajufe/RS Cristiano Moreira, que esteve na mesa juntamente com representantes do Sindisprev/RS e do Ceape/RS. Cristiano ressaltou a importância da presença da pesquisadora e chamou os presentes, que lotaram o auditório, à mobilização contra a reforma da Previdência e contra o governo de Michel Temer, destacando o dia nacional de luta e paralisação agendado para 14 de setembro. No próximo sábado, 2 de setembro, o Sintrajufe/RS realiza assembleia geral para discutir a adesão da categoria à paralisação.

A tese que norteou a fala de Denise Gentil foi a de que o governo está propositadamente conduzindo a política macroeconômica de maneira a provocar recessão no país. Isso com três objetivos: forçar a redução dos salários; desmobilizar a classe trabalhadora para radicalizar o neoliberalismo; e acelerar as privatizações.

Como explicou a pesquisadora, a Previdência não tem problemas internos graves. Na verdade, é atingida "de fora" pela política macroeconômica recessiva praticada pelo governo: renúncia de receitas de contribuições fiscais, juros elevados, câmbio valorizado, redução do crédito público, corte nos investimentos. Isso tudo leva à queda das receitas de contribuições previdenciárias e sociais.

A professora apresentou dados que corroboram sua posição. E demonstrou os efeitos que essa política vêm tendo para o país, como a queda de 17% na produção industrial entre 2014 e 2016. Há, ainda, grande aumento da taxa de desemprego (entre maio de 2016 e maio de 2017, por exemplo, o crescimento de desempregados foi de 1,2 milhão).

Ao mesmo tempo, há grande queda nas receitas da seguridade social, embora o governo tente concentrar as atenções nas despesas. Gentil apresentou gráficos que mostram que o crescimento dos gastos com a Previdência vinha caindo nos últimos anos, chegando a quase zero em 2015. Porém, com o anúncio da reforma, os gastos aumentaram, já que houve uma "corrida" em busca da aposentadoria entre os trabalhadores (9,57% de crescimento). Por outro lado, nos últimos anos aumentaram as desonerações de receitas da Seguridade Social. Em 2016, até agora o ápice desse processo, as desonerações somaram R$ 284 bilhões, sendo R$ 151 bilhões referentes à Seguridade. Esse valor é maior do que a soma dos orçamentos destinados à Saúde, Educação, Assistência Social e Ciência e Tecnologia. Também cresceu o valor destinado ao pagamento de juros da dívida pública através da Desvinculação das Receitas da União (DRU), prejudicando as contas da Previdência. "Como aumentar a DRU se é verdade que há déficit?", questionou a professora.

Denise Gentil ainda criticou a articulação entre o grande empresariado, o mercado financeiro, o governo Temer e os parlamentares. Nesse sentido, demonstrou o absurdo crescimento da liberação de emendas parlamentares em datas próximas a votações importantes para o governo – como a reforma do Ensino Médio, a reforma trabalhista e as votações da reforma da Previdência nas comissões. No mesmo contexto, apontou que os devedores da Previdência – muitos deles parlamentares – não são cobrados pelo governo, e que essa dívida de grandes empresas com o sistema previdenciário não para de crescer – não por acaso, destacou, a JBS é a principal devedora, com saldo negativo de R$ 1,8 bilhão. São 86 os parlamentares ligados a empresas devedoras.

Ao final da fala da pesquisadora, foi aberto espaço para comentários e questões dos presentes. O diretor do Sintrajufe/RS Rafael Scherer foi um dos que usou o microfone. Ele destacou a necessidade de fortalecer a luta como única maneira de barrar a reforma da Previdência e buscar a revogação das demais medidas antipopulares aprovadas por Temer, como a reforma trabalhista e a Emenda Constitucional que congela os gastos sociais por vinte anos. Nesse sentido, sublinhou, a convocação de nova greve geral e a ampliação da mobilização contínua dos trabalhadores é o caminho a ser seguido.

Fonte: Fenajufe, com informações do Sintrajufe/RS.