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Dia Nacional de Lutas: contra as MPs 664 e 665, passeatas em todo o Brasil

Em São Paulo, mais de 5.000 manifestantes protestaram contra os cortes aos direitos trabalhistas
Foto:Cris Faga/Estadão Conteúdo

Aconteceram hoje, em todo o Brasil, dezenas de atos unitários simultâneos em defesa dos direitos do trabalhador. Em função do Dia Nacional de Lutas e Mobilizações, dezenas de milhares de manifestantes saíram às ruas nas principais capitais do país, unindo forças da CTB, CUT, UGT, Força Sindical, CSB, NCST e importantes movimentos sociais, como UNE, UJS e a Federação Sindical Mundial (FSM).

Em comum, membros de todas as centrais e vertentes condenaram as Medidas Provisórias 664 e 665, que restringem os direitos ao seguro-desemprego, à licença-saúde, à pensão por morte, ao abono salarial e ao seguro-defeso. Além disso, pautas já conhecidas foram retomadas, entre elas o fim da política de elevação da taxa básica de juros, o fim do Fator Previdenciário e uma reforma tributária que tenha caráter progressivo.

São Paulo

Em São Paulo, a concentração de cerca de 5.000 pessoas ocorreu sob o vão do MASP e arredores, às 10h, e dali os manifestantes partiram para a frente do escritório da Petrobras. Os presidentes das centrais se manifestaram em sequência sobre aquilo que consideram “uma traição a quem ajudou este governo, dito ‘dos trabalhadores’, a permanecer no poder”.

Adilson Araújo, presidente da CTB, foi um dos dirigentes a abrirem o ato. Disse: “É preciso considerar que esta luta que estamos retomando hoje não é algo que começou no último mês, mas um embate que acontece há 12 anos, desde que os trabalhadores conseguiram chegar ao poder. As forças conservadoras do capital não descansarão enquanto não tirarem de nós as conquistas deste período”.

Para Araújo, a necessidade de equilibrar as contas do governo deve ser pensada de forma a proteger a parte mais fraca da economia - os assalariados. “É preciso encontrar outras formas de pagar a conta, sem tirar do bolso do trabalhador. Devemos rever as políticas de remessa de lucro e parar de alimentar o capital especulativo com dinheiro público”, concluiu.

O presidente da UGT, Ricardo Patah, foi outro a discursar sobre a necessidade rever as medidas abusivas propostas neste segundo mandato de Dilma: “Essa manifestação mostra qual é o caminho para o governo restabelecer o diálogo com os trabalhadores. Temos a esperança de que na próxima reunião, agendada para o dia 3, os ministros vão voltar atrás”.

O representante da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, compartilhou do mesmo pensamento, dizendo que é preciso que o governo não apenas revogue as medidas, mas atenda às reivindicações que os trabalhadores fazem desde 2010, após a realização da Conclat. “São documentos que estão protocolados desde o momento da campanha eleitoral e que até agora não foram atendidas”.

O vice-presidente da CSB, Álvaro Egea, espera que as manifestações levem o governo ao caminho do desenvolvimento. “Não vamos aceitar que, para recuperar a economia, coloque-se em primeiro lugar o interesse do capital financeiro”, destacou.

Manifestações no horizonte

Os atos de hoje são o início de uma série de manifestações organizadas pelas centrais até o dia 26 de fevereiro, quando ocorrerá em São Paulo a 9ª Marcha da Classe Trabalhadora. “Da parte do movimento social pressupõe defender a sua autonomia perante o governo e patrões. O remédio que encontramos [para as recentes ameaças ao direitos trabalhistas] é mobilizar os trabalhadores para salvaguardar os direitos e abrir uma perspectiva para que a gente possa conquistar mais”, disse.

Fonte: Portal CTB