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Jornal do interior de SP demite nove e nega reprimir greve

O jornal O Vale, de São José dos Campos (SP), demitiu oito jornalistas e um funcionário da gráfica nessa segunda-feira, 28. O diário passa por problemas financeiros e tenta fazer acordo com funcionários para estabelecer datas de pagamentos de salários atrasados. A situação, segundo colaboradores da empresa, é recorrente desde outubro do ano passado.

Na última quinta-feira, 24, jornalistas do impresso entraram em estado de greve. A empresa tentou fazer um acordo sobre as datas de pagamentos dos salários em atraso, de futuros vencimentos e da segunda parcela do décimo terceiro de 2012. O pagamento que deve ser realizado em cinco de fevereiro, por exemplo, seria postergado para o dia 18.

O fotógrafo Thiago Leon é um dos funcionários demitidos. Ele foi contra as propostas apresentadas pela Valebravo Editorial, mantenedora do veículo, e acredita que seu posicionamento tenha influenciado na decisão da chefia quanto à sua permanência na empresa, além da condição de “readequação do planejamento” e “cortes de gastos”. “Disseram que fui demitido porque meu trabalho não estava rendendo, minha produtividade tinha caído e que eu não fazia parte dos planos da empresa. Sendo que as últimas duas capas do jornal são minhas”.

De acordo com Leon, o veículo teria feito empréstimos para pagar o décimo terceiro e os salários atrasados. Além disso, os funcionários do jornal do Vale do Paraíba reclamam sobre o direito a férias. Segundo eles, a chefia se recusa a conceder o direito na data correta. “Minhas férias venceram em outubro [2012] e não pude tirar. O Hélcio [Costa, editor-chefe] disse: ‘em outubro que vem [2013] a gente conversa’”.

Ao Comunique-se, o editor-chefe de O Vale comentou apenas sobre essa declaração do ex-funcionário, ao explicar que o período de férias é atribuído pela companhia e que o jornalista não tinha direito ao benefício na época requerida. “A marcação de férias é atribuída à empresa. A reclamação é infundada porque ele não estava no período de vigência de férias. A redação se programou para que ninguém tirasse férias no período eleitoral”.

O Vale também é acusado de proibir funcionários de participar da assembleia realizada na tarde de segunda, 28. Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, os diretores do jornal ameaçaram demitir os que aderissem ao movimento. “Quem está do lado de dentro continua empregado. Quem sair lá fora [a assembleia foi realizada em frente à sede de O Vale] está demitido”, teria dito a direção da publicação, segundo a entidade.

Jornalistas, que pediram para manter a identidade em sigilo, disseram que a empresa não se posicionou desta forma em nenhum momento, mas que os funcionários ficaram receosos em se manifestar, diante das demissões da véspera.

Além da delcaração do editor-chefe do jornal, O Vale enviou uma nota à imprensa. No texto, a publicação evita falar das acusações feitas pelo sindicato de jornalistas e informa que as mudanças na redação foram realizadas para valorizar o online. Confira a íntegra:

A Valebravo Editorial S.A. embarca em um processo para remodelar o jornal O Vale frente às mudanças por que passa o mercado de comunicação no Brasil e no mundo e, em especial, para adequar o produto à era digital.

Esta é uma mudança que garante o futuro desse modelo de negócios e que só pode ser atingida com mudanças culturais e estruturais do produto jornal e da empresa.

Este jornal mantém seu compromisso de se manter fiel a um jornalismo ético e pautado pela qualidade e credibilidade da informação, e de ampliar seus horizontes rumo às plataformas multimídias, sem esquecer jamais a dimensão insubstituível da palavra escrita. São dois dos compromissos expressos pelo O Vale, em seu Editorial de lançamento, em 4 de abril de 2010, reafirmados por esta empresa todos os dias.

Fonte: Comunique-se